Micro texto de mim

Não quero me prender em algo academicista. Ora, claro que o esforço de tentar passar o que se vê exatamente como se vê para o papel é valorizado – mas enquanto um esforço de reprodução visual, somente. Bem, veja uma fotografia e repasse-a da maneira mais igual possível para o papel aí você ganhará essa medalha de honra ao mérito “pessoa que se esforçou para copiar o que todo mundo vê”.

Bem, sem querer ser irônica, mas o peso de um trabalho assim é raso e é somente a superficialidade que ele suporta. Qualquer arroubo de sentimento o explode com ligeira facilidade. Booom! Entenda, voltando ao que eu acho de mim, quero me deixar mergulhar no que faço sem me ater aos detalhes tão específicos que estão em minha visão. Vou preenchendo o desenho com aquela sensação gostosa de que algo se está a formar, novíssimo! Vidrinhos vazios de expectativas que vão se enchendo pouco a pouco. Mais um traço aqui, um pouco de leveza ali, RASGUE! PICOTE! Calma… aqui pede um rosa claro. Quando vejo que os potinhos, não necessariamente cheios de detalhes, mas certamente cheios do “querer ver” e do “sentir” já se ajeitaram do jeito que minha alma pediu, aí sim me acalmo. É como se viesse a calmaria de um mar pós tempestade, com algumas nuvens de chuva já se encaminhando para voltar à ativa.

Então volte ao estritamente igual ao que se vê… consegue perceber que aqui não há o que se preencher porque de tudo já se está cheio?! É maravilhosamente lindo ver a estrutura de uma construção bem feita a encher-nos os olhos. Também há que se ver que é lindo olhar uma cópia bem feita e cheia das técnicas de uma estrutura… mas essa captura no olhar passará, dará aquele calorzinho do “lindo!” e logo segundos depois tudo já estará frio. Passando igual vezes igual diante dos meus olhos. Imagens que o meu cérebro já registra normalmente – sem qualquer carga dramática.

Não sou assim. Por vezes tento me prender nas técnicas, nas regras, mas quando vejo lá estou eu esparramada nas cores do meu interior! Deixo-me brincar com elas como brincadeiras infantis, vendo tudo pela primeira vez e criando meus próprios significados.

Sete confissões capitais e outros pecados

Surpreendi-me positivamente com essa leitura. Adriana Sydor, a autora, escreve de forma fluída e intimista e por isso mesmo em muitas partes me senti como em um bate papo ou então como se eu mesma pudesse ter dito aquelas palavras por sentir o mesmo. O título faz referência aos pecados capitais porque é a partir deles que Adriana discorre sobre si e se descobre em diversas facetas em tom confessional. Ela afirma na contracapa:

“Chegou a hora da confissão. 
E eu apenas preciso confessar algumas coisas. 
Só isso. Não tenho esperanças de me tornar 
menos imperfeita ou de ser perdoada. Preciso 
escrever, porque é o que eu faço. 
Os pecados também.”

Sinto como se eu também necessitasse dessas palavras e dessa confissão. Como se fossem um pouco minhas também e isso é maravilhoso. Quando nos misturamos com a leitura de uma forma que passamos a trazê-la para o nosso ser/estar é aí que o livro passa a viver em outros lares e pessoas.

sete confissões capitais e outros pecados adriana sydorIndico muito a leitura e deixo mais um trecho para a degustação, sem medo de incorrer no pecado da gula!:

O que eu preciso agora é aquele derradeiro entendimento de que o que as pessoas pensam não me diz respeito, mesmo que seja sobre mim. Anseio me livrar desta busca improdutível por aceitação e ter somente a percepção de quem eu sou de verdade: virtudes e pecados. Chega de ter que ser a moça bem comportada de uma vida inteira, mais porque quero ser vista assim do que porque realmente sou. O que eu quero agora é a alforria definitiva da frase “o que vão pensar de mim”” p. 60.

Sobre a autora Adriana Sydor 

É jornalista, escritora (MPB para crianças, Salve o compositor popular) e faz poesia e confissões no blog Mil Compassos ( http://milcompassos.com.br/)


Título: Sete confissões capitais e outros pecados
Autor: Adriana Sydor
Ano de Publicação no Brasil (esta edição): 2018
Editora: Travessa dos Editores
ISBN: 978-85-9580-002-1
Número de Páginas: 116
Gênero: Autobiografia / Ensaios / Confissões

Esta sou eu?

Eu não sei o que acontece. Sinto que não posso levar-me a público do jeito que me apresento ser. Estou inacabada, com partes mal feitas ou incompletas. Dolorida. Pesos a mais. Talvez você consiga ver isso nos meus olhos enquanto em minha mente ensaio diálogos, mas não consigo efetivá-los. Desconto minhas particularidades rudes em vícios que me acumulam de partes que não preciso. Estou sempre com excessos e em falta. Meu corpo não é mais o mesmo, o tempo passa como se um dia após o outro fossem anos e estou acamada. Sentindo as horas passarem apenas por meu respirar intranquilo em meio aos sonos que me obrigo a ter para evitar o viver. Fechando os olhos com a esperança de não abri-los, mas se o acaso me trouxer de volta que me traga não a mim e sim outra. Mas nada se desgruda de mim, somente as horas, os anos e os momentos que já não vivo por medo de não ser quem sou sendo esta incompletude. Quilos de carne e gordura que se amontoam em um corpo do qual não me vejo. Esta sou eu?

Esperando Godot

Não há como falar de Esperando Godot sem spoiler, ou seja, sem que se revele o conteúdo do livro. Porém, aqui o que faço é uma crítica e para tanto é preciso ter lido a obra ou então estar ciente de que aqui se fazem pontuações que podem lhe influenciar a leitura, caso ainda não a tenha feito. Se está ciente disso, podemos prosseguir.

esperando godot

Ora, a peça inteira é uma suspensão do juízo com barras de fundação bem feitas. Não é contradição, a peça é isso e é aquilo, é antes e é depois, pois não tem tempo. É uma farsa ontológica. E longe disso ser uma crítica negativa. Não diria que a peça escrita é “sensacional” porque ela é à parte das sensações, é pensar. No começo acha-se estarem soltos os pontos da trama ou que há muitas repetições. Mas acredite em mim: não há.

Abstração. Ausência. Aquele mexer lá no fundo do ser racional, o nada existencial. BOOOM! É isso, aquela implosão do viver. Só se escuta o impacto por dentro do existir. Esperando Godot, de Beckett, é isso. É o pé conjunto de Vladimir e Estragon a amassar Pozzo-Lucky-menino-Godot.

Já lhe explico:

Vladimir. Estragon. São dois, mas são um e são a generalidade da humanidade (e isso Beckett deixa entrever na página 117). Ser humano no sentido mais cru. Vladimir pode vir a ser a parte que vê detalhes bons, que lembra. Estragon de nada lembra, mas tenta se desgrudar de Vladimir de tempos em tempos, até a sorte o chuta. Entenda: Vladimir e Estragon são duas faces de um mesmo signo. Beckett alude à uma árvore, único elemento cênico, que em meio aos diálogos pode-se entender que tem galhos muito fracos para que Vladimir consiga se suicidar, mas em contrapartida tem galhos muito fortes para que Estragon se suicide. Enfim, acabam os dois por se equilibrarem um no outro, porque sem que um esteja junto ao outro não há como dar cabo da vida. A vida é o não suicidar-se e a objetificação do mundo é a árvore – a qual também muda da noite para o dia para denotar mais uma vez que o tempo se esvai e que a única coisa que sabe fazer a humanidade é equilibrar-se e esperar o breu. Pois nesse ínterim há nada.

VLADIMIR: O certo é que o tempo custa a passar, nestas circunstâncias, e nos força a preenchê-lo com maquinações que, como dizer, que podem, à primeira vista, parecer razoáveis, mas às quais estamos habituados. Você dirá: talvez seja para impedir que nosso entendimento sucumba. Tem toda razão. Mas já não estaria ele perdido na noite eterna e sombria dos abismos sem fim? É o que me pergunto, às vezes. Está acompanhando o raciocínio?
ESTRAGON: Nascemos todos loucos. Alguns continuam.” (p.118)

Pozzo-Lucky-menino-Godot. Dirão vários críticos que são faces diferentes e individualizadas, atribuirão nomes como Deus, Diabo, morte ou seja lá o que forem para eles. Bem, eu digo que com eles Beckett, por meio de uma grande abstração maravilhosa, matou Deus uma segunda vez, o primeiro a fazê-lo foi Nietzsche. Digo de modo figurado, porque claro esta que Beckett essencializa seus personagens de unicidade, que nem persona são mais, mas entidade de interpretação. Quem criou e quem matou essa entidade foi sim a humanidade! E a pobre humanidade ignorante ainda espera, ainda espera Godot. Ainda cega Pozzo. Ainda sobrecarrega Lucky, ironicamente sortudo, com pesos desnecessários (Areia!) e o faz mudo. Ainda acredita que o menino consegue cuidar das cabras e das ovelhas. Ainda chama Pozzo de Caim e Abel – e nas mentes esperançosas, mesmo nomeado à esmo, creem que ele responde a todos.

O ser humano sempre atrela a figura de sorte a uma entidade. Espera que ela chegue para tudo resolver. Mas não há que se esperar, porque no fim as cortinas caem e tudo se torna breu, sem aviso. Fim de peça. Assim, sem mais delongas. Sem hora marcada – não há tempo, nem lugar. Não haverá tempo para se retirar as botas e ficar a postos no local indicado, não há local indicado. Aliás, há que se citar o trocadilho do nome Godot, o qual vem de “Godillot” – que significa “Botas grosseiras”, espécie de coturno. Ah! A abstração… de “Ab-stratci”, extraídos, postos à parte.

A sorte, na figura de Lucky, é parte de Pozzo. É parte e é todo, porque não se dividem. A sorte é segurada com uma corda que lhe corta o pescoço – é Pozzo quem o comanda, e depois quando cego encurta ainda mais a rédea da sorte muda, velha e chicoteada. Se tentarmos subdividir essa unicidade podemos interpretar Pozzo como Deus autoritário (isso sem contar as mil e uma interpretações sócio-políticas que poderíamos entrever. Interpretações essas à parte, pois Beckett não as inferia).

A figura do chapéu coco é outra que aparece na peça – o chapéu, se colocado no que chamo de sorte (Lucky) o faz pensar. Se tanto pensar o ser humano o que há de científico e racional, desatrela-se o fator sorte e o faz desfalecer, então cai por chão o fator divino. Em uma cena no primeiro ato, Lucky, utilizando o chapéu, se põe a pensar até a exaustão, mas Pozzo retira o chapéu e afirma autoritariamente dar o rumo à Lucky – porque sem o chapéu “ele nunca mais vai pensar” (p. 73). Uma cena interessante que também alude aos chapéus está no segundo ato no qual Vladimir e Estragon os trocam incessantemente, se utilizando do chapéu de Lucky que ficou no chão – bela cena de abstração do “pensar”.

Outra “duplicidade” aparece na figura do menino (final do ato I). O menino afirma cuidar de cabras e vem dar recado de Godot: “virá no dia seguinte”. Também afirma ter um irmão que cuida de ovelhas, mas que nesse último Godot bate (p.82). Bem, não há que se dizer que o horário marcado é mero engodo porque isso é claro. O tempo se transcorre de alguma maneira por alusão ao nascer ou pôr do sol, sem nada específico e o menino aparece novamente – só que nem Estragon lembra dele, nem o menino lembra de Vladimir e Estragon. O único que tem memória é Vladimir. Bem certo é pensar que o menino não existe e é mais uma esperança da parte de Vladimir em esperar o inesperado.

A figura dúplice do menino também pode ser atrelada facilmente à tríplice caracterização Godot/Pozzo/Lucky e render muitas análises de abstração.

Uma delas é a de se interpretarmos Godot como figura da morte e entendermos os meninos como um só que cuidam tanto das cabras arredias quando das ovelhas (nada mais são que a própria humanidade) e o ligarmos ao signo Jesus, conseguimos também abstrair o sentido de que mesmo cuidando do rebanho ele recebeu flagelo e morte, mas ao seu lado apenas um dos dois ladrões crucificados lhe creditou verdade e foi salvo.

Outra vez: o acreditar e o entender cabe somente à humanidade.

Samuel Beckett 

Samuel Beckett foi um dos fundadores do teatro do absurdo e é considerado um dos principais autores do século 20. Sua obra foi traduzida para mais de trinta idiomas. Nasceu numa família burguesa e protestante, e em 1927 graduou-se em literatura no Trinity College de Dublin, onde estudou também italiano e francês.

Em 1928, foi lecionar em Paris, onde conheceu James Joyce, de quem se tornou amigo. Durante o ano de 1930 lecionou na Irlanda, nessa época escreveu o estudo crítico “Proust”, comentando a obra do grande escritor francês. No ano seguinte Beckett fixou residência em Paris e escreveu a sua primeira novela, “Dream of Fair to Middling Women“, que seria publicada somente depois de sua morte.

Em 1933, voltou a Dublin, por motivos familiares, mas retornou a Paris em 1938. Nessa época, levou, de um estranho, uma facada no peito e ficou gravemente ferido. No início da Segunda Guerra Mundial, Beckett vinculou-se à Resistência Francesa, juntamente com sua esposa, Suzanne Deschevaux-Dusmenoil. Em 1942 foi obrigado a fugir para Vichy, onde escreveu parte da novela “Watt”.

A partir de 1945, o seu idioma literário passou a ser o francês. Entre 1951 e 1953 escreveu uma trilogia (“Molloy“, “Malone Morre” e “L’Innommable“), cujo tema é a solidão do homem. Com “Esperando Godot“, Beckett iniciou, ao mesmo tempo que Ionesco, o teatro do absurdo. Posteriormente ainda escreveu, além de algumas obras narrativas, diversas peças teatrais, como “Fim de Festa“, “Ato sem Palavras” e “Os Dias Felizes“.

Em 1969, Beckett ganhou o Prêmio Nobel de Literatura. Durante a vida escreveu poemas e textos em prosa, como romances, novelas, contos e ensaios, além de textos para o teatro, o cinema, o rádio e a televisão.

Samuel Beckett morreu em 1989, cinco meses depois de sua esposa. Foi enterrado no cemitério de Montparnasse. (Biografia do Autor retirada do site UOL educação – https://educacao.uol.com.br/biografias/samuel-beckett.htm )


Título: Esperando Godot
Título Original: En attendant Godot
Autor: Samuel Beckett
Tradução e Prefácio: Fábio de Souza Andrade
Ano de Publicação no Brasil (esta edição): 2014
Editora: Cosac Naify
ISBN: 978-85-405-0726-5
Número de Páginas: 192
Gênero: Teatro Inglês / Crítica e Interpretação

 

 

Tentativas de fazer algo da vida

Dizemos com uma certeza quase presunçosa “quando ficarmos velhos…”, mas isso não é escolha e o passar do tempo não vem para todos. Bem, Hendrik está no grupo dos quais o passar do tempo veio sim, por mais de 80 anos ele se mantém lúcido. Porém, com o peso da idade também vem o esgotamento e é isso que esse livro apresenta de forma lúdica, verdadeira e muito engraçada: o que fazer com as horas e anos finais da velhice.

Quando se é jovem, a gente deseja ser mais velho. Quando adulto, até os sessenta, desejamos permanecer jovens. Quando se é velho mesmo, já não há nenhum objetivo a alcançar. Essa é a essência do vazio da existência aqui. Já não existem objetivos. Nenhuma prova na qual passar, nenhuma carreira para seguir, nenhum filho para criar. Já estamos velhos demais até para cuidar dos netos.” p. 138.

Hendrik, que mora em uma casa de repouso para idosos, resolveu que era interessante escrever um diário para mudar o panorama de sua vida que até então era seguir a rotina de alimentação oferecida e comentar sobre os outros idosos. A partir da narração desse velhinho simpático tem-se noção de como é a rotina dos idosos em um asilo porque a própria escrita de Hendrik apresenta detalhes até mesmo governamentais (da Holanda, mas que servem muito bem para parâmetro de outras partes do mundo) relacionados com a organização desse tipo de local.

Tentativas de fazer algo na vida

Outra coisa interessante que notei foi um dos enfoques ser o Alzheimer, já que uma das colegas de Hendrik estava desenvolvendo esse tipo de demência e ele narra o desenrolar no diário. Justamente esse foi o tema do livro que li anteriormente e é bacana esse entrelaçar. No livro “Em busca da memória” eu tive um enfoque científico dessa doença que afeta principalmente idosos, já nesse livro tive o enfoque literário da velhice e da convivência com a doença.

Mais um ponto importante é que além do diário como válvula de mudança em sua vida monótona o Hendrik também passou a fazer parte do grupo tô-velho-mas-não-tô-morto, no qual ele e outros velhinhos se propuseram a espantar a mesmice. Um livro muito delicioso de se ler, gostei bastante!

Contracapa

Continuo não gostando de velhos neste novo ano. Do arrastar dos pés por trás dos andadores, da impaciência fora de propósito, do eterno reclamar, dos biscoitinhos com chá, dos gemidos e dos lamentos.

Eu mesmo tenho oitenta e três anos e três meses.

Hendrik Groen pode ser velho, mas nem de longe está morto – e não planeja ser enterrado tão cedo. Seus passeios estão ficando mais curtos porque as pernas já não dão conta, as visitas ao médico se tornaram mais frequentes do que gostaria. É nesse momento da vida que se pergunta se não há nada mais a fazer além de tomar chá fraco e cuidar de flores. Quando o ano novo começa, ele toma uma decisão: escreveria todos os dias um diário, contando altos e baixos de sua rotina num asilo em Amsterdã. O resultado é um olhar terno e hilário sobre a terceira idade, mas também um devastador retrato de uma parcel ada população esquecida pela família e pela sociedade.

Hendrik Groen é um pseudônimo, e o lançamento de seu diário causou intensa discussão na Holanda sobre quem seria o autor. Sobre o livro, que se tornou best-seller internacional, ele diz: “nada é mentira, mas nem tudo é verdade”.


Livro: tentativas de fazer algo da vida
Autor: Hendrik Groen (pseudônimo)
Tradução: traduzido do holandês por Mariângela Guimarães
Editora: TusQuets
Número de páginas: 363

Em busca da memória

Eu tinha uma ideia pré formada muito rasa sobre o que o Alzheimer é e isso mostra o como deve-se ir atrás dos mais diversos temas, buscar informação, sair da zona de conforto. Não se contentar apenas com o lugar comum. Esse livro acrescentou muito, foi muito informativo e me deu uma amplo campo de conhecimentos acerca da memória e da doença de Alzheimer especificamente.

Não, você não vai encontrar aqui o que é a memória exatamente. Nem o que é o Alzheimer exatamente. Porque simplesmente essas noções não existem – são somas, são construções. Os entendimentos ainda estão sendo pesquisados e não há apenas um caminho a seguir, são vários. O autor nos apresenta esses caminhos que estão sendo explorados em forma de pesquisa, começando com a descoberta da doença de Alzheimer e seu aspecto histórico.

O início não foi fácil… Alois Alzheimer, psiquiatra de Munique que descobriu a doença, enfrentou o peso da novidade no meio acadêmico: um misto de indiferença e descrédito. O decorrer dessa história é o que traz esse livro. Vale a pena ler!

em busca da memória joseph jebelli

Contracapa: 

“O que somos nós sem a memória? Nada. Afinal, é ela que define os parâmetros da nossa existência. Se não conseguimos nos lembrar das pessoas que amamos, das viagens que fizemos, dos nossos feitos e fracassos, nada somos. É assim que uma pessoa com Alzheimer se sente. Neste livro brilhante, o neuro cientista Joseph Jebelli traça a história dessa doença, que está virando epidemia mundial desde 1906, quando foi originalmente identificada. Jebelli viu em casa, na figura de seu avô, como a demência afeta o cérebro e acaba com a vida de uma pessoa – não importa a idade. O autor mostra o que tem sido feito para diagnosticar e previnir a doença, qual estilo de vida contribui para piorar o Alzheimer, a melhor forma de estimular a mente e até a dieta que ajuda a desacelerar os efeitos.”


Livro: Em busca da memória: uma biografia da doença de Alzheimer, da sua descoberta às novas técnicas de cura.
Autor: Joseph Jebelli
Tradução: Luis Reyes Gil
Editora: Crítica
Número de páginas: 333.

Ainda falta tanto

Eu ainda sinto que falta tanto tempo dentro do meu mundo para que tudo se coloque no lugar, em mim. Sinto, sinto tanto que tudo se fragmenta e esfarela até ser levado em diversas direções. Estranho mesmo, porque ainda estou, mesmo não sendo.

E nesses dias vi alguém chorar por ganhar um livro que tanto queria. Um amigo chegou, com um abraço e um livro, um abraço forte, livro forte. Fiquei uns instante a olhar a cena meio de lado enquanto eu passava pelo meio da livraria. Aquele momento tão inteiro de singeleza. Não precisa chorar não, dizia ele para o amigo. Fica feliz! E o choro era de felicidade, tudo assim meio misturado.

Ainda nessa semana também eu finalizei um livro, dentre os muitos que chegaram a mim e que não sei quando os lerei todos. São vários, são vários e a delicadeza do ler também se fragmentou neles com um pedaço meu. Eu também me vi abraçada, por cada chegada, em cada fragmento. Chorei aqui por dentro as lágrimas todas de todas as páginas que tenho vontade ler. De todo o tempo que tanto falta em mim. Da vida toda que tanto vivo e já vivi.